segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Natal 2010

Num tempo em que a quadra natalícia, comemorativa do nascimento de Jesus, é convertida em tempo de mobilização comercial, substituindo o menino Redentor, nascido humildemente numa manjedoura, por um "Pai Natal" com uma imagem mais condizente com interesses materiais, quero aqui reafirmar a minha homenagem a este Ser que aceitou tornar-se humano para demonstrar aos nossos olhos como devemos comportar-nos.
Infelizmente, dois mil anos passados, ainda não conseguimos entender a sua mensagem! Nem o muito sofrimento, fruto dos nossos erros, foi ainda suficiente para nos fazer repensar um novo projecto para nós mesmos. Continuamos a tentar construir a nossa felicidade sobre a infelicidade dos outros, contrariando totalmente as sábias leis naturais.
Sem esquecer a dádiva material, necessária, lembremos a dádiva de nós mesmos em benefício de um todo universal.
Que neste Natal, a nossa visão se amplie e compreendamos o verdadeiro alcance do "Amai-vos uns aos outros"!
Aqui vos deixo uma mensagem de Natal na visão do poeta, Casimiro Cunha, após a sua partida para o lado de lá da vida:

Mestre Amado e Generoso,
Nas bênçãos de Teu Natal,
Também nós te recordamos
No campo espiritual

E lembramos comovidos,
A noite ditosa e bela,
Em que surgiste, exaltando
A manjedoura singela.

Divino Pastor, nascias,
Na solidão da pobreza,
Santificando a humildade
Nas luzes da natureza.

E trabalhaste e sofreste
Para as vitórias da luz,
Desde a esperança do berço
Às ironias da cruz.

E embora os Teus sacrifícios
Na lágrima, no suor,
A Terra, Jesus, se veste
De angústia, miséria e dor.

Volta a nós, Pastor Sublime,
Que o edil da humanidade,
Se estende aos abismos negros
De ignorância e maldade.

As tuas ovelhas frágeis
Cansadas de sombra e guerra,
Atropelam-se assustadas,
Ao longo de toda Terra!

As seitas religiosas,
Que ensinam a divisão,
Fomentam carnificinas,
Envenenando a razão.

A ciência que extermina
Faz do mundo seu vassalo,
Enquanto a filosofia
Prega o bem sem praticá-lo.

Ó Senhor, dá-nos, de novo,
Fidelidade ao dever,
No Dom da simplicidade,
No impulso de agradecer.

Que em Teu Natal, nós possamos
Recordar com mais fervor,
Teus exemplos de renúncia
E as tuas lições de amor.

Concede-nos, mestre Amigo,
Nas lutas de redenção,
Nova fé, nova esperança
Ao templo do coração.

 Livro: PREITO DE AMOR – Casimiro Cunha/Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Trabalhar Sempre

Por mais inquietante se revele a estrada terrestre aos teus olhos, não esqueças que o trabalho será o verdadeiro instrumento de nossa libertação.

 Fé que não age, é entusiasmo inoperante.

Caridade que não se movimenta nas boas obras, é campo ornamentado de verdura inútil.

Pregação de virtude que não se expressa em serviço aos semelhantes, muitas vezes é um escrínio vazio, estruturado em palavras brilhantes.

Prece que não caminha no terreno da ação construtiva, é um grito sem eco.

Só o trabalho consegue realizar o divino milagre de nossa renovação espiritual.

A enxada humilde é um escopro de luz na mão do lavrador, mas a pena preciosa nos dedos do sábio preguiçoso é lâmina sem valor.

Trabalha e tua linguagem se fará acessível e convincente aos que te observam; trabalha e encontrarás, contigo mesmo, o miraculoso elixir do esquecimento de todas as mágoas do mundo; trabalha e farás a Terra menos pobre de ignorância e miséria...

Toda a Natureza é um cântico de serviço ao Criador, que não cessa de servir por amor às criaturas.

Serve a árvore, que produz a semente, serve o chão que sustenta a vida.

Serve o Sol, que fecunda o chão, serve a semente que produz o pão.

Não te imobilizes, à frente do sublime espetáculo que o mundo te oferece todos os dias.

Deixa que a esperança extravase de teu coração, em forma de bênçãos, deixa que a tua saúde se derrame em obras úteis, na direção dos que necessitam.

Não aceites o repouso senão como pausa obrigatória e indispensável ao teu próprio refazimento, porque só na atividade constante do bem desfrutarás o clima da consciência tranquila.

Cristo veio até nós para que despertássemos.

Descerra as janelas do entendimento à sua divina inspiração e busca o lugar de abençoado servidor que a Terra te guarda generosa.

“Levanta-te e segue-me!” – disse-nos o Senhor.

Não te detenhas.

O amor é infatigável.

Jesus é o nosso Divino Guia, e Hoje, é a nossa bendita oportunidade de renovar e aprender, de servir e brilhar.


Livro – INTERVALOS – Francisco Cândido Xavier – Emmanuel

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Aonde Está Deus


"Onde está Deus?", pergunta o cientista,
Ninguém O viu jamais. "Quem Ele é?".
Responde à pressa, o materialista:
"Deus é somente uma invenção da fé!".

O pensador dirá, sensatamente:
"Não vejo Deus, mas sinto que Ele existe!
A natureza mostra claramente
Em que o poder do Criador consiste".

Mas o poeta dirá, com a segurança
De quem afirma porque tem a certeza:
"Eu vejo Deus no riso da criança,
No céu, no mar, na luz da natureza!

Contemplo Deus brilhando nas estrelas,
No olhar das mães fitando os filhos seus,
Nas noites de luar claras e belas,
Que em tudo pulsa o coração de Deus!

Eu vejo Deus nas flores e nos prados,
Nos astros a rolar no infinito,
Escuto Deus na voz dos namorados,
E sinto Deus na lágrima do aflito!

Percebo Deus na frase que perdoa,
Contemplo Deus na mão que acaricia.
Escuto Deus na criatura boa
E sinto Deus na paz e na alegria!

Eu vejo Deus no médico salvando,
Pressinto Deus na dor que nos irmana.
Descubro Deus no sábio procurando
Compreender a natureza humana!

Eu vejo Deus no gesto da bondade,
Escuto Deus nos cânticos do crente.
Percebo Deus no sol, na liberdade,
E vejo Deus na planta e na semente!

Eu vejo Deus, enfim, em toda parte,
Que tudo fala dos poderes Seus,
Descubro Deus nas expressões da arte,
No amor dos homens também sinto Deus!

Mas onde eu sinto Deus com mais beleza,
Na sua mais sublime vibração,
Não é no coração da natureza,
É dentro do meu próprio coração!".


Do livro "Onde está Deus"
José Soares Cardoso