quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Minha Mãe

Desejava, Mãezinha, para testemunhar-te afeto e gratidão, escrever-te um poema que me fotografasse e coração.
E, ao servir-me do verbo, quisera misturar a beleza das flores e das fontes, o azul do céu, o ouro do sol e os lírios do luar!...
Anseio enaltecer-te!... A palavra, no entanto, Mãe querida, não consegue mostrar as bênçãos incessantes que nos trazes à Vida.
Em vão consulto dicionários! Não encontro a expressão lúcida e bela que nos defina claramente a luz que o teu sorriso nos revela...
Ofereço-te, assim ao carinho perfeito o doce pranto de agradecimento que me verte do peito.
As lágrimas que choro de alegria refletem, uma a uma as estrelas de amor que te engrandecem – a tua glória em suma!...
És tudo de mais lindo que há no mundo – o agasalho, a ternura calma e boa, o refúgio de santo entendimento, a presença que abençoa...
Desculpa, meu tesouro de esperança, se não te sei nobilitar o reino de bondade e sacrifício, no sustento do lar!
E não sabendo, Mãe, como louvar-te a celeste afeição, rogando a Deus te glorifique a vida, trago-te no coração.

Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Medo da Morte

Não devemos temer a morte; devemos temer, antes, uma má vida, que é pior que a morte.
A morte não é a da matéria, porque o que se dá nesse caso não é uma morte no sentido de fim; mas uma transformação. A nossa matéria ressurge então sob nova forma, assim como o grão que, aparentemente morto quando enterrado na cova, ressurge para o bem do próprio homem.
A verdadeira morte é a morte moral, essa que mata o conceito e liquida a credibilidade do homem; que traz o remorso que aniquila a consciência; que faz com que o homem se envergonhe de se olhar num espelho.
Teme mais a morte do corpo aquele que já se acha moralmente morto; o que se envergonha do presente e teme o futuro, porque tem contra si o libelo dos próprios atos, da conduta reprovável.
Quer dizer, o que leva o homem a temer a morte, a apavorar-se diante da idéia de morrer, não é simplesmente o instinto de conservação, nem a ignorância em relação à vida. É acima de tudo a consciência culpada.
Os mártires caminhavam para morte sem medo, transbordantes de esperanças, cantando até, tal como ocorreu com os primeiros cristãos levados às feras nos circos e às fogueiras da Inquisição.
Já os grandes tiranos, os grandes culpados sempre fugiram e ainda fogem hoje da morte. A ameaça da morte os atormenta em todos os tempos. Consta que a toda poderosa Elizabeth da Inglaterra, que mandara decapitar a prima Maria Stuart, da Áustria, oferecia no leito de morte todo o seu reino por mais um minuto de vida. Nuremberg até hoje procura os exterminadores de judeus, os responsáveis pelos grandes holocaustos e genocídios, que escreveram com sangue as páginas de horror da história da humanidade. Estes já estão moralmente mortos, punidos pelo tribunal da própria consciência culpada.
A morte é diferente, porém, nas expectativas do homem de consciência limpa. O mártir Sebastião não a temeu. E, mesmo tendo que a enfrentar, mais cedo ou mais tarde, quer na quitação dos débitos, quer nas imposições do testemunho de sua fé e do ideal superior, ele saberá repetir com toda a força da alma o desafio que Paulo lançou para sempre, através do capítulo 8,55 da sua primeira epístola aos Coríntios: “Ò morte, onde está a tua vitória? Onde está o teu agulhão?”

Deocleciano

Pereira, Vanderley. Mensagem ditada pelo espírito Deocleciano.

A Benção do Trabalho

É pela bênção do trabalho que podemos esquecer os pensamentos que nos perturbam, olvidar os assuntos amargos, servindo ao próximo, no enriquecimento de nós mesmos.
Com o trabalho, melhoramos nossa casa e engrandecemos o trecho de terra onde a Providência Divina nos situou.
Ocupando a mente, o coração e os braços nas tarefas do bem, exemplificamos a verdadeira fraternidade, e adquirimos o tesouro da simpatia, com o qual angariaremos o respeito e a cooperação dos outros.
Quem não sabe ser útil não corresponde à Bondade do Céu, não atende aos seus justos deveres para com a Humanidade nem retribui a dignidade da pátria amorosa que lhe serve de Mãe.
O trabalho é uma instituição de Deus.

"Quem move as mãos no serviço,
Foge à treva e à tentação.
Trabalho de cada dia
É senda da perfeição."


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Pai Nosso. Ditado pelo Espírito Meimei.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A Linguagem do Amor

Todos somos capazes de compreender o mundo em nós, de interpretar a vida pelos nossos olhos, num esforço que dê sentido a esse acto de existir. Embora o conhecimento possa ser transmitido, propagado pela palavra escrita de um livro, pela palavra falada de um mestre, a sabedoria, essa, é grande demais para comportar tais limitações. Não a podemos pedir emprestada e muito menos aprendê-la em escolas; ela é e sempre será, o resultado da compreensão que fizermos do mundo, na vivência dessa realidade a que chamamos Vida, que na sua essência somos nós próprios.
Não devemos, por isso mesmo, subordinar o nosso pensamento ao pensamento de um outro sem uma reflexão que nos permita compreender em nós, esse mesmo pensamento, pois, se o fizermos, estaremos a trair a nossa consciência; a atalhar o caminho para nos tornarmos joguetes em mãos alheias, pois quando não sabemos quem somos, outros se encarregarão de o dizer por nós. E esse é o primeiro passo para o fundamentalismo, para a intolerância, para o fanatismo cego de quem tomou o mundo pela palavra de um outro e não pela sua própria palavra como resultado de uma compreensão que fosse sua.
Não é por isso obrigatório pertencer a uma religião, ter uma doutrina, fazer parte de uma ordem mística ou esotérica para que a sabedoria desperte em nós. Um ateu pode estar tão mais perto dessa realização que um crente. O importante é que nos propusemos nesse caminhar para nós próprios como forma de nos doarmos ao mundo.
Estes são tempos muito importantes para a humanidade, não só pelas mudanças que se avizinham, mas pela queda de muitos dos paradigmas do passado. Tal como castelos feitos de areia, iremos assistir à queda dos paradigmas onde esta civilização fundeou os seus alicerces, acentuando a confusão de quem, de um momento para o outro, se verá sem terra debaixo dos pés, náufragos das ilusões cultivadas durante tanto tempo.
Iremos assistir, também, ao ressurgir de uma nova espiritualidade, liberta de imposições, de dogmas, de máscaras feitas à imagem do homem para servir as suas conveniências. Uma espiritualidade que irá renovar a humanidade velha nos seus trajes, lançar uma lufada de ar fresco nas consciências dos homens, libertando-os de um longo cárcere.
E só então estaremos prontos para compreender o significado do verdadeiro Amor, que não é património de uns quantos, mas de todos os homens que procurem em si a sua própria Essência. Que vejamos o Amor como o resultado do respirar de Deus, o oxigénio inalado pelos Seus pulmões que depois de transportado pelo sangue chegará a cada célula, alimentando-a.
Alimento, esse, que se recebe sem a necessidade de cupões, de inscrições, sem esperar que alguém nos diga que já podemos ter a nossa parte. Compreender esse Amor, é abrir a nossa consciência para o mundo e para os outros, é aceitar cada pessoa como uma parte de nós na partilha de um espaço que nos tem por irmãos. e isso é algo que está ao alcance de todos.
Digo-vos também para não tomarem os caminhos dos outros como sendo piores que os vossos. Aparentemente, o trabalho de um missionário que dedicou toda a sua vida ao serviço da humanidade parece ser mais nobre que o trabalho de um agricultor, no entanto, se não existisse esse agricultor, o missionário morreria de fome por não haver quem cultivasse a terra. Para que o missionário possa cumprir a sua missão, é importante que os outros também cumpram a sua, porque se assim não fosse, a humanidade ficaria privada da plenitude da sua existência.
Que o aceitar das diferenças nos permita compreender que também fomos ou iremos ser como aqueles que nos são diferentes; que julgá-los pelas suas diferenças é julgarmo-nos a nós próprios pelo facto de também sermos diferentes dos demais. Deixemo-nos de andar com um espelho na mão virado para o rosto dos outros tentando revelar as suas falhas e defeitos, para que o possamos virar para nós e reconhecer no nosso rosto, falhas e defeitos idênticos.
Não nos cristalizemos, também, em dogmas que tantas vezes invalidam um esforço bem-intencionado. Não é importante saber cada palavra de uma escritura sagrada, mas vivê-las na acção que lhe corresponde como forma de materializar a energia ali contida. Dizer que se ama porque está escrito num qualquer livro, porque tal mestre assim o disse, de nada serve. Temos que transformar essa palavra em acção, mesmo que silenciosa, para que possamos expressar esse mesmo amor. Repetir rituais, dizer de memória as palavras de homens sábios e depois não praticar essas mesmas palavras nos gestos, nas atitudes, na postura sincera e humilde diante dos homens, é ignorar os verdadeiros propósitos que estão por detrás dos ensinamentos que nos foram deixados.
E que não façamos do conhecimento um fim a alcançar, mas sim um meio para fazer desabrochar a sabedoria que nos permita olhar para além dos conceitos, das verdades instituídas, das frases que se repetem até à exaustão sem a devida compreensão daquilo que cada uma delas transporta por detrás dos seus adornos. Apenas este entendimento nos poderá ajudar a construir as bases de uma existência que seja coerente com os princípios que dizemos seguir, mas cujo verdadeiro significado tantas vezes ignoramos.
É por tudo isto que vos digo que amar os outros, não é procurar recompensas e virtudes, não é subir ao palanque à espera de aplausos, mas humildemente colocarmo-nos num mesmo patamar e de uma forma discreta partilhar com todos a alegria de quem soube reconhecer no rosto de cada homem o olhar de um irmão.
Um olhar que não tem nome, que não tem cor, que não tem credo nem nacionalidade. Um olhar que é cristalino sem os contornos de um rosto de máscaras, puro na profundidade de um gesto que nos acolhe, que nos conforta. No olhar de cada ser poderemos encontrar a nossa própria identidade, observar o reflexo da nossa imagem que nos fala de dentro desse mesmo olhar, revelando-nos que lá bem fundo também estamos nós.
Quando compreendermos isto, todas as máscaras cairão e todas as diferenças se esbaterão. Credos e nacionalidades tornar-se-hão pequenos e insignificantes, já que em cada homem saberemos reconhecer uma parte de nós que é comum a todas as coisas.
Só então poderemos compreender verdadeiramente o que é o Amor.

(Reflexões Espirituais para uma Nova Terra - Pedro Elias)