sexta-feira, 29 de abril de 2011

Amor e Justiça

Houve, séculos atrás, uma tribo cujo chefe era tido como superior aos chefes de todas as demais tribos.
Naquela época, a superioridade era medida pela força física. Assim, a tribo mais poderosa era a que tinha o chefe mais forte.
Mas o chefe de que estamos falando não tinha somente força física. Ele era também conhecido por sua sabedoria.
Desejando que o povo vivesse em segurança, ele criou leis abrangendo todos os aspectos da vida tribal.
Eram leis severas que ele, como juiz imparcial, fazia cumprir com rigor.
Certa feita, problemas começaram acontecer na tribo. Alguém estava cometendo pequenos furtos.
O chefe reuniu a tribo e com tristeza no olhar, frisou que as leis tinham sido feitas para os proteger, para os ajudar. Como todos tinham o de que necessitavam para viver, não havia necessidade de ocorrerem furtos. Assim, ele estabeleceu que o responsável teria o castigo habitual aumentado de 10
para 20 chibatadas.
Os furtos, entretanto, continuaram. Ele voltou a reunir o grupo e aumentou o castigo para 30 chibatadas.
Mas os furtos não cessaram. "Por favor", pediu o chefe. "estou suplicando. Para o bem de vocês, os
furtos precisam parar. Eles estão causando sofrimento entre nós." E aumentou o castigo para 40 chibatadas.
Naquele dia, os que estavam próximos dele, viram que uma lágrima escorreu pela sua face, quando ele dispersou o grupo.
Finalmente, um homem veio dizer que tinha identificado o autor dos furtos. A notícia se espalhou e todos se reuniram para ver quem era.
Um murmúrio de espanto percorreu a pequena multidão, quando a pessoa foi trazida por dois guardas. A face do chefe empalideceu de susto e sofrimento.
Era sua mãe. Uma senhora idosa e frágil.
"E agora?" Pensou o povo em voz alta. Todos começaram a se questionar se o chefe seria, ainda assim, imparcial. Será que ele faria cumprir a lei? Seria o amor por sua mãe capaz de o impedir de cumprir o que ele mesmo estabelecera?
Notava-se a luta íntima do chefe que, por fim, falou: "Meu amado povo. Faço isso pela nossa segurança e pela nossa paz. As 40 chibatadas devem ser aplicadas, porque o sofrimento que este delito nos
causou foi grande demais."
Acenou com a cabeça e os guardas fizeram sua mãe dar um passo à frente.
Um deles retirou o manto dela, deixando à mostra as costas ossudas e arqueadas. O carrasco, armado de chicote, se aproximou e começou a desenrolar o seu instrumento de punição.
Nesse momento, o chefe deu um passo à frente. Retirou o seu manto e todos puderam ver seus ombros largos, bronzeados e firmes.
Com muito carinho, ele passou os braços ao redor de sua querida mãe, protegendo-a, por inteiro, com o próprio corpo.
Ele encostou o seu rosto ao da mãe e misturou as suas com as lágrimas dela.
Murmurou-lhe algo ao ouvido e então, fez um sinal afirmativo para o encarregado.
O homem se aproximou e desferiu, nos ombros fortes e vigorosos do chefe da tribo uma chibatada, após outra, até completar exatamente 40.
Foi um momento inesquecível para toda a tribo que aprendeu, naquele dia, como se podem harmonizar com perfeição, o amor e a justiça.
O amor é vida, e a compaixão manifesta-lhe a grandeza e o significado.
O amor tudo pode e tudo vence, encontrando soluções para as situações mais difíceis e controvertidas.
Enfim, o amor existe com a finalidade exclusiva de tornar feliz quem o cultiva, enriquecendo àqueles aos quais se dirige.

Equipe de Redação do Momento Espírita com base no cap. Eterna harmonia, de John Macarthur, do livro Histórias para o coração 2, de Alice Gray, ed. United Press e cap. 1 do livro Garimpo de amor, do Espírito Joanna de Ângelis, por Divaldo Franco.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Tempo de Deus

Deus não tem pressa! Mesmo que Seus filhos, que se consideram rebeldes, não atendam de imediato ao chamado da eternidade, Deus sabe esperar. Ainda que nossa fé ameace se apagar, como uma chama que se esvai, Deus espera que nos reacendamos com a força oculta do amor.
Quando os nossos dias parecem tumultuados e nossas emoções nos fazem mais sensíveis, Deus sabe esperar.
Na verdade, meus filhos, Deus, que é Pai, não espera pessoas capacitadas para servi-lo na tarefa do bem. Sabendo Ele da nossa rebeldia e demora nas decisões, nos utiliza como somos e aos poucos capacita cada um, à medida que surgem as necessidades.
Os bons espíritos não desejam médiuns santos ou indivíduos santificados, sem dificuldades e problemas. Trabalham com aqueles que se disponham a ir em frente, a evangelizar com seus exemplos, duramente conquistados e alicerçados em experiências correctas e dignificantes. Em geral, os santinhos, os bonzinhos foram canonizados pela multidão ávida de ídolos e de ilusões.
Nosso Senhor nos disse que não veio para os santos, mas para os pecadores. Não veio para os salvos, mas para as ovelhas perdidas. Pense nisso e não fique por aí cobrando de você mesmo aquilo que ainda não está preparado para dar. Deus não tem pressa; você é que é exigente. E pai-velho pode dizer mais: tanta exigência assim, é resultado de imaturidade e de sentimento de culpa.
Deus deu como meta a perfeição, mas estabeleceu como prazo a eternidade e, como companheira dessa caminhada, a paciência, pois ele sabe que estamos muito distantes do ideal e ainda não atingimos a angelitude.
Deus o quer como humano, não como anjo. É preciso humanizar-se, para então aperfeiçoar-se. Os anjos voam longe, e o Pai precisa de você aqui, com os firmes no mundo para auxiliá-lo no processo de aprimoramento da humanidade. Seja humano, mesmo com aquelas características que você identifica como defeitos. Não desista, permaneça ligado à fonte do infinito bem e, aos poucos, à medida que sua consciência desabrochar, expandir seus horizontes, você se livra da carga de culpa e das punições. Trabalhe, ame e prossiga como você é, esforçando-se para melhorar. Porém, sem essa, meu filho, de ficar lamentando o tempo perdido. Quanto mais você se lamenta, mais deixa de caminhar. Não perca seu tempo com culpas ou desculpas. Errou? Continue caminhando. Caiu? Levante-se e prossiga. Não precisa justificar nada, pois enquanto justifica já perdeu mais tempo. Prossiga na certeza de que Deus e os bons espíritos têm pressa em sua perfeição. O Pai sabe investir no tempo e espera apenas que você dê uma oportunidade a si mesmo e a Ele para elaborar aquilo que, em meio a toda a pressa, você esqueceu: sua humanidade.
Não deixe de ser humano. Seja você mesmo!
Deus ainda não desistiu de investir em você. Por que continuar teimando em manter este estado infeliz em seus pensamentos e em seu coração?

A hora é de ir avante, continuar trabalhando por dias melhores.
Trabalhar, perseverar e não desanimar, ainda que às vezes você ache que não está bom. Está tudo sempre muito bom, meu filho. É preciso que você aprenda a ver o lado bonito de tudo, em todas as situações. Deus confia em você.  Depende de você a confiança em Deus. Tenha a certeza de que Ele, o Pai, estará com você na medida exata em que você estiver com Ele.

"Pai João de Aruanda"

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Uniões de Prova

“... Não separe o homem o que Deus ajuntou.”
Jesus - Mateus : 19 - 6
“... Quando Jesus disse: “Não separe o homem o que Deus ajuntou”, essas palavras se devem entender com referência à união, segundo a lei imutável de Deus e não segundo a lei mutável dos homens.” ESE. Cap. XXII - 3


Aspiras a convivência dos espíritos de eleição com os quais te harmonizas agora, no entanto, trazes ainda na vida social e doméstica, o vínculo das uniões menos agradáveis que te compelem a frenar impulsos e a sufocar os mais belos sonhos.
Não violentes, contudo, a lei que te preceitua semelhantes deveres.
Arrastamos, do passado ao presente, os débitos que as circunstâncias de hoje nos constrangem a revisar.
O esposo arbitrário e rude que te pede heroísmo constante é o mesmo homem de outras existências, de cuja lealdade escarneceste, acentuando-lhe a feição agressiva e cruel.
Os filhinhos doentes que te desfalecem nos braços, cancerosos ou insanos, idiotizados ou paralíticos são as almas confiantes e ingênuas de anteriores experiências terrestres, que impeliste friamente às pavorosas quedas morais.
A companheira intransigente e obsediada, a envolver-te em farpas magnéticas de ciúme, não é outra senão a jovem que outrora embaíste com falsos juramentos de amor, enredando-lhe os pés em degradação e loucura.
Os pais e chefes tirânicos, sempre dispostos a te ferirem o coração, revelam a presença daqueles que te foram filhos em outras épocas, nos quais plantaste o espinheiral do despotismo e do orgulho, hoje contigo para que lhes renoves o sentimento, ao preço de bondade e perdão sem limites.
--*--
Espíritos enfermos, passamos pelo educandário da reencarnação, qual se o mundo, transfigurado em sábio anestesista, nos retivesse no lar para que o tempo, à feição de professor devotado, de prova em prova, efetue a cirurgia das lesões psíquicas de egoísmo e vaidade, viciação e intolerância que nos comprometem a alma.
À frente, pois, das uniões menos simpáticas, saibamos suporta-las, de ânimo firme.
Divórcio, retirada, rejeição e demissão, às vezes, constituem medidas justificáveis nas convenções humanas, mas quase sempre não passam de moratórias para resgate em condições mais difíceis, com juros de escorchar.
Ouçamos o íntimo de nós mesmos.
Enquanto a consciência se nos aflige, na expectativa de afastar-nos da obrigação, perante alguém, vibra em nós o sinal de que a dívida permanece.

Espírito : Emmanuel
Psicografia : Francisco Cândido Xavier
Livro : Livro da Esperança - Cap. 76

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Viagem Interior

O homem prossegue na sua viagem de circunavegação para o seu mundo externo. Antes, ele enfrentava o mistério dos mares em busca dos tesouros, de terras novas e de civilizações capazes de atender a sua ânsia de conquistas e de progresso. Foi assim que os portugueses chegaram ao Brasil, há quinhentos anos. E hoje temos esta jóia de país, com os seus contrastes, suas belezas e suas esperanças.
E foi também assim que outras civilizações se encontraram, se confrontaram e se abraçaram, enfim reunindo-se no mesmo mapa em que hoje se destacam  como nações consolidadas ou em processo de crescimento. Depois que o homem se familiarizou com o desconhecido dos mares, as viagens se voltaram para os espaços cósmicos, em busca de outros mundos que flutuam nas regiões siderais até então indevassáveis.
Trocando as caravelas pelas naves espaciais, eis que o homem pousa na Lua que os antigos adoravam como deusa. Mas continuando sua viagem para fora de si, o homem já projeta o pouso em Marte, o deus da guerra de povos primitivos. Temos hoje mais do que uma frota de foguetes que o homem lançou no espaço em torno da atmosfera terrestre para espionar de cima o que ele não consegue vasculhar em baixo.
Senhor da terra e do espaço, o homem viaja também à enorme velocidade pelas entranhas das próprias células do seu universo corporal, em busca de conquistar mais tempo e mais qualidade para a vida. Já começa a se aprofundar nos labirintos do DNA, num esforço de identificar as futuras doenças para se preservar delas. E prosseguindo sua viagem em torno de si, o homem tem hoje o mundo dentro de casa, graças aos milagres da comunicação pela Internet. Com todas essas conquistas fantásticas, o homem não se conhece ainda porque não fez a grande viagem interior, para dentro de si pelos caminhos da alma humana.
Por isso, não descobriu ainda a felicidade. Continua enredado nas teias do egoísmo, pai do orgulho, que gera a ambição, a injustiça e a violência. Chegamos ao ano 2000 dominando o universo externo das nossas aspirações, mas não conseguimos ainda navegar os mares revoltos de nossas almas deseducadas, viciadas e imperfeitas. Sem perder de vista as grandes conquistas materiais nos mares que nos empurram para a praia das ciências, não podemos negligenciar a grande viagem para dentro de nós, para que o homem comece a descobrir os valores nobres da solidariedade e da paz, para uma vivência fraterna – antídoto para a violência.


Wanderley Pereira