quarta-feira, 20 de julho de 2011

Familiares Problema

Desposaste alguém que não mais te parece a criatura ideal que conheceste. A convivência te arrancou aos olhos as cores diferentes com que o noivado te resguardava o futuro que hoje se fez presente.

Em torno, provações, encargos renascentes, familiares que te pedem apoio, obstáculos por vencer. E sofres.

Entretanto, recorda que antes da união falavas de amor e te mostravas na firme disposição em que assumiste os deveres que te assinalam agora os dias, e não recues da frente de trabalho a que o mundo te conduziu.

Se a criatura que te compartilha transitoriamente o destino não é aquela que imaginaste e sim alguém que te impõe difícil tarefa a realizar, observa que a união de ambos não se efetuaria sem fins justos e dá de ti quanto possível para que essa mesma criatura venha a ser como desejas.

Diante de filhos ou parentes outros que se valem de títulos domésticos para menosprezar-te ou ferir-te, nem por isso deixes de amá-los. São eles, presentemente na Terra, quais os fizemos em outras épocas, e os defeitos que mostrem não passam de resultados das lesões espirituais causadas por nós mesmos, em tempos outros, quando lhes orientávamos a existência nas trilhas da evolução.

É provável tenhamos dado um passo à frente. Talvez o contato deles agora nos desagrade pela tisna de sombra que já deixamos de ter ou de ser. Isso, porém, é motivação para auxílio, não para fuga.

Atentos ao princípio de livre arbítrio que nos rege a vida espiritual, é claro que ninguém te impede de cortar laços, sustar realizações, agravar dívidas ou delongar compromissos.

Divórcio é medida perfeitamente compreensível e humana, toda vez que os cônjuges se confessam à beira da delinqüência, conquanto se erija em moratória de débito para resgate em novo nível. E o afastamento de certas ligações é recurso necessário em determinadas circunstâncias, a fim de que possamos voltar a elas, algum dia, com o proveito preciso.

Reflete, porém, que a existência na Terra é um estágio educativo ou reeducativo e tão só pelo amor com que amamos, mas não pelo amor com que esperamos ser amados, ser-nos-á possível trabalhar para redimir e, por vezes, saber perder para realmente vencer.

Psicografia : Francisco Cândido Xavier - Livro : Na Era do Espírito - Emmanuel - Cap. 2

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Por si mesmo

No contexto da existência imortal, o nascimento e a morte do corpo são fenómenos que se repetem incontáveis vezes.
Quanto à chegada nos berços do mundo, sabe-se o que ordinariamente envolve.
Entretanto, a criatura humana costuma se indagar a respeito de como será sua chegada no plano espiritual.
Por intermédio do fenómeno mediúnico, não faltam relatos a respeito dessa marcante ocorrência.
Conforme a grandeza íntima de quem desencarna, o evento se modifica.
Há os transes angustiosos e os extremamente felizes.
Contudo, em se tratando de Espíritos razoavelmente equilibrados, há um fenómeno um tanto comum.
Muitas vezes, eles são cercados por manifestações do mais puro amor.
Antigos afectos, que o tempo talvez tenha até riscado da memória, ressurgem de improviso.
Amigos, a quem supunham ter prestado pequenos serviços, repontam nesse dia novo, de braços abertos.
Sorrisos espontâneos, por flores de carinho, desabrocham em semblantes luminosos.
Quase sempre, contudo, quem chega se reconhece, nesse festival de pura alegria, como ser obscuro e endividado.
Quanto mais a bondade fulgura em torno, mais ele sente o peso da frustração.
Tem o peito à semelhança de violino quebrado, que não consegue acompanhar a harmonia de júbilo que o rodeia.
Entre a alegria de muitos pelo reencontro, deseja chorar em profundo arrependimento.
Lamenta as lutas recusadas e as oportunidades perdidas.
Deplora a passada rebeldia, ante os apelos do bem.
É que essas lutas benditas lhe teriam granjeado merecimento e luz íntima.
Lamenta também a fuga deliberada aos testemunhos de humildade, que o teriam renovado de modo definitivo.
Percebe-se amparado por indizíveis exaltações de claridade e ternura.
Contudo, por dentro, carrega remorso e necessidade de renovação.
E, por reconhecer que pouco lutou e evoluiu, suplica o retorno a um corpo de carne pois sonha com a redenção e a consciência tranquila, as quais demandam aquisições de experiência e valor.
*   *   *
Se você chora em suas lutas do dia a dia, pense bem antes de reclamar.
Perceba o valor da experiência que o dilapida com vistas a uma felicidade perene.
Entenda as dificuldades por desafios e as decepções por bênçãos.
Elas impedem que você se perca em fantasias e loucuras, em detrimento de seu objectivo real.
Abençoe o pranto que lava os escaninhos do seu ser.
Execute com paciência o trabalho que a vida lhe pede.
Um dia, os companheiros que o precederam na jornada de luz estarão com você em preces de triunfo.
Viva de modo a merecer estar com eles, livre e vitorioso!

 Redacção do Momento Espírita, com base no cap. 49, do livro Justiça Divina, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 02.07.2011.