terça-feira, 3 de abril de 2012

Se Tiveres Amor

    Se tiveres amor, caminharás no mundo como alguém que transformou o próprio coração em chama divina a dissipar as trevas...
    Encontrarás nos caluniadores almas invigilantes que a peçonha do mal entenebreceu, instilando-lhes o hábito da peste, e relevarás toda ofensa com que te martirizem as horas...
    Surpreenderás nas maldizentes criaturas desprevenidas que o veneno da crueldade enlouqueceu, e desculparás toda injúria com que te deprimam as esperanças...
    Observarás no onzenário a vítima da ambição desregrada, acariciando a ignomínia da usura em que atormenta a si próprio, e no viciado o irmão que caiu voluntariamente na poça de fel em que arruína a si mesmo...
    Reconhecerás a ignorância em toda manifestação contrária à justiça e descobrirás a miséria por fruto dessa mesma ignorância em toda parte onde o sofrimento plasme o cárcere da delinquência, o deserto do desespero, o inferno da revolta ou o pântano da preguiça...
    Se tiveres amor saberás, assim, cultivar o bem, cada instante, para vencer o mal cada hora...
    E perceberás, então, como o Cristo, fustigado na cruz, que os teus mais acirrados perseguidores são apenas crianças de curto entendimento e de sensibilidade enfermiça, que é preciso compreender e ajudar, perdoar e servir sempre para que a glória do amor puro, ainda mesmo nos suplícios da morte, nos erga o espírito imperecível à bênção da vida eterna.

 (De "Religião dos Espíritos", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)